Amy Lee. Entrevista para o The Gauntlet

The Gauntlet: O que há de novo com você?

Amy Lee: Tudo está bem. Eu estive em New York por quatro dias agora desde todas aquelas coisas do "Nightmare" em Los Angeles.


The Gauntlet: Quando você diz "nightmare" se refere à semana em LA como um pesadelo ou você estava apenas promovendo o álbum "Nightmare Revisited"?

Amy Lee:[risadas] Não, foi pelo álbum.


The Gauntlet: Então foi tudo bem?

Amy Lee:Foi demais. Acho que semana passada pode ter sido a melhor da minha vida, senão uma das melhores. Tinham muitas coisas acontecendo. No Leno foi tudo bem, mas havia um monte de outras coisas. Consegui encontrar o Danny Elfman e ele é meu herói!
Ele foi gracioso e muito legal comigo e me convidou para sua casa, que era incrível. Também fiz uma apresentação no El Capitan, a qual foi em uma noite de honra a Danny [Elfman]. Como parte disso, eu consegui tocar a canção que ele tinha escrito há muitos anos.
Era tão impressionante ver aqueles mundos colidirem um pouco por causa do filme e Danny Elfman que tem tanto impacto em minha vida. Fazer essa homenagem, e não fazer feio, foi realmente, realmente demais. Oh, e eu fui a Disneylândia.


The Gauntlet: Foi sua primeira vez na Disneylândia?

Amy Lee: Sim. Eu cresci no sul da Flórida e fui à Disney World quando criança, mas não voltei por muitos anos. Eu toquei no Leno e no El Capitan e tivemos um dia de folga entre eles. Estavam juntos meu marido e amigos próximos comigo; Will Hunt [não o Will Hunt do Evanescence] que produziu “Sally’s Song” com sua esposa. Nós tivemos algum tempo para passar e falamos "vamos para a Disneylândia".


The Gauntlet: Me sinto tão cansado da ser do sul da Califórnia. Em um ano eu vou a Disneylândia umas 15 vezes mas houve certos anos que fomos mais de 50.

Amy Lee: Onde eu estive!


The Gauntlet: Tenho 2 filhos, então isso não foi só por mim.

Amy Lee: Isso é demais! Isso é mais vezes do que fui ao parque na rua. Eu amo a Space Mountain. Nós divertimos tanto… que nós fomos duas vezes. Nós estávamos saindo, em nosso caminho para o aeroporto no carro, pensando sobre como essa foi a melhor semana de todas. Eu estava pensando que minha única tristeza foi não ter feito todos os passeios na Disneylândia, já que nós fomos à Space Mountain 3 vezes.
Eu disse "Que tal se nós voltássemos a Disneylândia agora?" Nós não tinhamos realmente nada pra fazer no dia seguinte. Todos estava pensando que era loucura porque teríamos que mudar os vôos. Eu liguei para meu gerente e perguntei se era possível mudar os vôos. Ele apenas riu mas fez acontecer. Foi a coisa a mais legal e aconteceu perfeitamente. Nós fomos tão sortudos. Conseguimos ver os fogos-de-artifício desta vez. Era tão incrível. Nós passamos o dia inteiro nos passeios. Nós explodimos de felicidade. Nós fomos na Space Mountain mais três vezes e fomos em todos os passeios de criança.


The Gauntlet: Você foi ao passeio selvagem do Mr. Toad?

Amy Lee: Quer saber? Não fomos, mas fomos em todo o resto.


The Gauntlet: Eu posso falar sobre Disneylândia o dia inteiro, mas de volta à música. Sally’s Song foi selecionada para você?

Amy Lee: Eu selecionei na verdade. Por um instante eu não pensei que eu seria uma parte do “Nightmare Revisited.” Eu falei com o supervisor de músicas e ele mencionou sobre o álbum. Eu pirei totalmente e ele sugeriu que eu fizesse uma canção. Botei meu lado fã para fora. Eu disse-lhe que o filme era demais e que nunca encontraria uma fã maior do que eu. Ele perguntou que canção eu gostaria de fazer e eu falei “Sally's Song.” Poderia ser uma outra que eu pudesse ter feito, mas eu quis realmente aquela. Voltaram e disseram que havia três canções disponíveis mas eu não pensei que trabalhariam para uma mulher sem realmente errar na escolha.
Eu decidi que faria como realmente queria ou não faria. Eu suponho que quem quer que fosse fazer Sally's Song não pôde e então me chamaram. A coisa mais legal foi que não tinha nenhuma direção da Disney ou da gravadora. Foi uma experiência muito criativa. Eu consegui ir para casa e pensar sobre ela; todas as coisas que eu amava sobre aquelas canções e abracei tudo que eu poderia colocar um "eu", um sabor de Amy.
Sabia que queria tocar harpa nela , então isso foi algo legal de início. Eu mandei uma mensagem para o Will Hunt, o produtor e baterista, e nós tiramos alguns dias para fazê-la. Foi completamente livre e eu penso que é uma das melhores coisas que eu fiz porque ela foi intocável. Ninguém pensou sobre uma produção diferente ou uma grande produção nem nada tipo um pop ou um vocal em cima disso.


The Gauntlet: É estranho ser uma grande fã do Danny Elfman, que é um compositor brilhante, e ter esse reino livre para mudar o material dele. Como você vê isso?

Amy Lee: Foi um pouquinho conflitante e foi difícil. A música era muito curta no filme. Tive que fazer alguma coisa como colocar o coral mais uma vez ou colocar uma solo. Contudo, era algo que eu estava cogitando. Eu me perguntava: "é errado que eu escreva uma parte da canção?" No filme e no contexto de tudo, era um momento curto do seu pensamento. Uma vez que eu comecei a trabalhar nela essa parte fluiu, e eu amei muito. Eu senti como se quisesse isso desde o começo. A música estava como no clímax do filme, prestando atenção na Sally cantando essa parte. No filme, ela é tão contida que não canta as palavras para fora. É apenas meiga. Mas para mim quando eu cantava a canção em meu carro no caminho para a aula, a revolta adolescente saía e eu apenas quria cantar minha parte favorita. Eu consegui fazer um pouco disso na canção. Na parte da transição da música, aquele é o pico emocional. Ao mesmo tempo, a canção é perfeita como Danny Elfman a escreveu. Está comigo por quase 14 anos em minha cabeça. Não parece, mas sinto como se eu tivesse 12 anos.


The Gauntlet: Danny Elfman comentou em sua versão da canção?

Amy Lee: Sim. Eu só tive retornos positivos, o que é legal. Eu nem imaginava, quando fiz a canção, que haveria uma performance ao vivo. Ouvi através de outras pessoas que, sabe-se la quão confiável seja, que ele gostou muito. Disseram que pediu para eu tocá-la no evento do El Capitan e que ficaria lisonjeado. E foi demais depois que toquei a música. Ele chegou e disse "você acertou em cheio!". Eu estava realmente muito nervosa tocando as partes da harpa, já que foi somente a segunda vez que toquei harpa na frente das pessoas e minhas mãos estavam de um jeito tão ruim que pensei que não acertaria as notas. O Tonight Show foi a primeiríssima vez tocando a harpa na frente da platéia e sabia que haveria muita pressão extra em mim. Não queria me acovardar e não me desafiar. Tenho trabalhado na harpa e amo isso. Eu tenho escrito mesmo com ela um pouco. Tive a possibilidade de fazer quase toda para o piano, mesmo que houvesse um pouco da harpa na canção. Eu me mantive pensando sobre ela cada vez mais e não me prender aos mesmos talentos que tinha. Quero sempre melhorar e tocar coisas cada vez mais difíceis. Quero tocar as partes mais difíceis no piano e me desafiar. Quero aprender novos instrumentos. Estou orgulhosa de mim mesma, por seguir pelo caminho mais difícil. Ela é algo muito legal visualmente e soa muito bonito. Eu, definitivamente, planejo tocar mais harpa.

The Gauntlet: E isso seria um projeto solo ou com o Evanescence?

Amy Lee: Eu não sei o que está acontecendo. Estou num ponto onde não sei o que será o próximo: um projeto solo ou um filme. Eu estou realmente interessada em filmes. Eu sabia que precisava levar a questão do Evanescence mesmo enquanto essas coisas estavam acontecendo. Amei The Open Door e foi algo muito grande para mim. Eu tive sempre um amor verdadeiro por escrever música para filmes. Dei um bom pontapé inicial para isso e agora posso encontrar essas pessoas. Eu apenas preciso descobrir um projeto que eu seja apaixonada e outro certo para mim. Pode levar um tempo. Tenho esperança nisso e em pessoas que têm alguma fé em mim para escrever a música. À exceção disso, eu ainda estou escrevendo canções. Contudo, não sei o que elas serão.


The Gauntlet: Você pegou um pouquinho da mente do Danny Elfman?

Amy Lee: Um pouco. Eu não quis chegar como uma grande fã. Nós apenas falamos sobre o coisas normais, no entanto. Eu estava indo conversar sobre o que ele quisesse conversar. Queria parecer uma colega, não uma criança.


The Gauntlet: Fazer um filme é muito diferente. Mesmo que ainda seja música, a conexão com os fãs se acaba. Você faz uma música, e não há turnê. Apenas muda para a próxima.

Amy Lee: Exatamente. É tão emocional e dramático. Com nossa música, você pode ouvir isso. Eu sempre estou retratando o visual e colocando as maiores emoções lado a lado. Eu amo as grandes baterias e guitarras próximas umas das outras, do medo e da raiva e deixo-as cair então com um solo vulnerável do piano. Você sente todas estas coisas diferentes. Acho que eu não estou fazendo o menor sentido, mas eu acho que é o que o Evanescence sempre foi. É a minha vida de uma maneira , porém maior e mais dramático. Fazer um filme seria incrível por muitas razões, mas capturar as emoções das pessoas e mostrar à platéia como os personagens se sentem, é o que faz o filme. Eu penso que a idéia de estar em casa e escrever música é maravilhosa. Escrever uma parte de música e dizer 'está bem, você está livre, até mais', você está livre. Não ir numa louca turnê, com todas aquelas coisas, é um sonho.


The Gauntlet: Um sonho? Você descreveu-me que escreve uma canção bonita e emocional e a revela. Ela se vai e não é mais sua.

Amy Lee: Mas ainda é minha. Meu nome está nela. E posso vê-la milhões de vezes. Em vez de cantá-la repetidamente cada vez mais, chegando ao ponto de não ter mais aqueles sentimentos, porque os textos ficam se repetindo. O que me chateia mais nas turnês é que não posso dizer o que estou sentindo então. Não posso cantar sobre o que estou sentindo no momento. Eu estava cantando sobre o que era 3 ou 4 anos atrás. Isso se torna tão monótono. Poder ter esse tempo para fazer algo fresco e atual... Tem um tempão, desde que comecei a escrever aquelas coisas. O que as pessoas pensam de mim ou o que que pensam que estou sentindo, é onde eu estava 3 ou 4 anos atrás e essa é a questão. Leva tanto tempo para compor, gravar, fazer turnê. Estou sempre cantando sobre o passado. É legal já que tenho orgulho do meu passado e amo as canções que fizemos. Ao mesmo tempo não é mais quem eu sou ou o que estou sentindo.


The Gauntlet: "Sally’s Song" foi creditada à Amy Lee e não ao Evanescence. Foi um jeito de lançar sua carreira solo?

Amy Lee: Não foi isso. Não sabia que iria fazer isso (a música). Era uma possibilidade na minha vida que poderia seguir este caminho. É natural do mesmo jeito que tudo aconteceu com a banda. Mas não era pra fazer uma indicação. Foi tudo eu. É difícil dizer o que o Evanescence é por si só. São Terry e Tim agora e os outros caras que mudaram recentemente. Eles sabiam que era como uma largada e chegada, que tinha início e fim para terminar. Terry está se divertindo tocando em uma banda com o baixista do Limp Bizkit. De vários modos, é o mesmo que da última vez. Fallen e The Open Door seguiram em caminhos diferentes. Então Terry e eu escrevemos o álbum, trouxemos a banda de volta, gravamos e fizemos a turnê. Não é como se todos nós vivêssemos na mesma casa, escrevêssemos todo o tempo e jogássemos videogame. Essa música veio para mim e é algo pelo qual sou apaixonada. Fiz os arranjos e a parte instrumental, e isso não foi de modo algum uma colaboração com o Evanescence. Não queria que isso fosse falso. Não queria chamá-la de Evanescence e captalizá-la assim, pois todos conhecem esse nome. 


Matéria Original: The Gauntlet